vejo em minha família partes de mim. vejo em mim, minha família inteira. o primeiro natal fora da casa dos pais, quanta coisa mudou... afinal, onde exatamente é a minha casa? o ano se fecha, se fecha também um ciclo. literalmente ciclo, por trazer da memória a mesma sensação de quando pedalei em itagibá, numa tarde de forte chuva e raios vários, voltando pra casa, em perigo e feliz. o jeito [sim, jeito é uma tradução mais fiel] como esse dia de natal termina é igualmente emocionante. um dia para recordar, o de hoje. num dos cadernos de notas, consta de 25/12/09 [sem scanner, sorry]:
"relampeja em itabuna. vejo estrondos no céu na varanda da casa dos pais. pedalar em meio a raios traz a luz essa lembrança de itagibá. só eu sei o quanto foi divertido presenciar tamanha beleza naquela tempestade. aquilo que 'a profecia celestina' chama de 'experiência mística'. aliás, esse livro me parece muito interessante, embora necessite ser abordado de maneira mais cuidadosa. é bem introdutório a uma jornada de leituras de caráter mais espiritual e a sua consequente aplicação. tenho me identificado, tem me feito bem [hum, muito cuidado com essas leituras prazerosas, felippe].
as palavras que escrevo aqui me são mais tímidas que quando em papel e caneta. por que será isso?
vou dormir ao som de trovões e com um suave frescor da chuva a penetrar as narinas. :*
ps.: também das anotações:
"sonhei contigo em meu colo. um vento leve lhe acaricia os cabelos, donde da fronte refletem morenos pelinhos. imagens alternam entre seu sono mais belo e seus olhos de mistério a me fitar, quase rindo; doce balanço do tempo. [...]"
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
tempo curto
3:30 da matina, acabo de chegar de mais uma produção pela ícone áudio e vídeo, sob a direção de luciano matos. cinegrafia é mesmo lindo! ^^
então, esse é o quarto material que fazemos juntos e tudo indica que vem mais. bom trabalhar com caras que conhecem de vídeo, sempre histórias hilárias e um aprendizado a mais.
dessa vez, o cliente foi a albatroz tecidos. tema? é natal, claro. [natal, hum, sei não...]
então, enquanto esse material não fica pronto, posto os outros três que fizemos. da rota transportes, canabrava resort e batuba beach. fazer vídeo publicitário é massa, mas é aquilo, né... é publicidade.
--
enquanto o mundo gira nessa velocidade feroz, faço alguns pannings no meio do tufão, onde olhares se cruzam em frames. brinco de rir e esperar esperando que também ria de lá.
acompanhem o meu flickr, tem surgido coisas interessantes e a tendência é essa que é. ::]
a capoeira vai bem e to tirando jorge ben. partiu!
então, esse é o quarto material que fazemos juntos e tudo indica que vem mais. bom trabalhar com caras que conhecem de vídeo, sempre histórias hilárias e um aprendizado a mais.
dessa vez, o cliente foi a albatroz tecidos. tema? é natal, claro. [natal, hum, sei não...]
então, enquanto esse material não fica pronto, posto os outros três que fizemos. da rota transportes, canabrava resort e batuba beach. fazer vídeo publicitário é massa, mas é aquilo, né... é publicidade.
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enquanto o mundo gira nessa velocidade feroz, faço alguns pannings no meio do tufão, onde olhares se cruzam em frames. brinco de rir e esperar esperando que também ria de lá.
acompanhem o meu flickr, tem surgido coisas interessantes e a tendência é essa que é. ::]
a capoeira vai bem e to tirando jorge ben. partiu!
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sábado, 5 de dezembro de 2009
com a casa nos ombros
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
palermo shooting

boa pedida pros que curtem um cinema "alternativo" é esse título de 2008, palermo shooting. com uma carga mais filosófica acerca da natureza da imagem e sua relação com o tempo, o filme me prendeu legal. com uma montagem modernosa (tipo, som diegético, quando ele usa o fone; uns inserts simulando sua fotográfica...), em alguns momentos fica clara a citação a Antonioni com o blow-up (Wim Wenders, quem dirigiu, ao fim do filme presta homenagem póstuma tanto a ele, quanto ao Bergman). a história em si é meio mole, mas é contada de uma maneira envolvente. sobram artifícios para encantar o espectador: as internas capricham no design de interiores; as externas, rodadas na Alemanha e Itália merecem pausa pra estudo; os sonhos são de rachar a cuca. as sequências ora brincam com o tempo, ora com o espaço. isto é, em determinada cena, Finn ("our hero") caminha lentamente por um parque ao escapar de um acidente de carro enquanto um corredor o ultrapassa em fast motion. no espaço, sim, então... tem uma massa! num de seus sonhos, ele caminha normalmente por uma escadaria quando de repente o horizonte começa a se inclinar. o truque de câmera e os cortes precisos tornam esse efeito bastante real. ao fim da sequência, enquanto todos os transeuntes caminham normalmente pelo chão, ele consegue enfim se agarrar a um relógio, de onde observa o quê? o tempo, de boa.


na cena que segue, é acordado por uma pintora que mais parece a própria obra de arte. daí o filme entra naquela da trama romântica, onde eles se conhecem, se encontram novamente meio que por acaso, tal... bem bonitinho. saído das noites sem fim na alemanha, onde seus sonhos se misturam com a realidade, Finn se arremessa ao desconhecido, indo parar em Palermo. lá, ele, tanto acostumado a ver, é visto por essa gata que calmamente o traduz em rabiscos invisíveis a nós espectadores. aqui, o tempo decora o roteiro de maneira sublime. em sua vida "normal", numa night qualquer, uma morena pergunta se pode fotografá-lo, ele confirma, ela saca o celular e posando a seu lado registra esse momento. um flash pisca, assim como todos os outros flashes da casa noturna, pronto. ela agradece e se vai. aquela imagem é mais uma no meio de tantas outras. a efemeridade dessa relação é a própria característica de seu trabalho. laços que são construídos e deixam de existir no exato momento do clique (ou do recebimento da monta que lhe é de direito). no entanto, em Palermo, ele se encontra em sonhos intranquilos (boa, otto!) quando se percebe na posição de modelo. o jogo vira. a luz laranja da tarde invade mansa um velho teatro onde esse belo par de olhos azuis o fitam atentamente. a imagem aqui se constrói traço a traço, do nada, quando ele menos espera.

clara diferença no tempo das relações, do desejo e da conquista, da construção de um sentimento. ainda estranhos para com o outro, eles se rabiscam, se olham, se estudam. é tão raro achar alguém que acenda os olhos, pra que certeza ou pressa? relaxa aí e vai dar uma volta, ô! enfim, a atuação da inga busch que eu achei que as vezes "engasga", mas tá desculpadíssima, vai...
então, palermo shooting é bem interessante àquele que tem esse prazer estranho de andar só enquanto registra (independente do suporte) seu meio. muitos conceitos das teorias da imagem são apropriados pelos caras, vários deles ligados ao "aprisionamento"do tempo.
a trilha tem lou reed, portishead, nick cave... vale conferir!
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