sexta-feira, 27 de novembro de 2009

cactus



estremeço quando escrevo. da memória, palavras saltitam, cintilam e futucam. chocam-se, fundem-se e dão adeus. tenho entendido que questionar requer um esforço, dá trabalho e cansa. os primeiros passos são acompanhados de insistentes tropeços. "que é isso, 'profundidade'?"

buscar mais combinações que descrevam o que há no exato momento em que algo é trazido [ou levado?] à luz é um movimento intenso disso que entendo de alma. quanto mais o jogo enrijece, mais se pede mais, e assim é feito. reflex ["o", "ão" e a câmera] nas entrelinhas.

me pego em tímidas linhas, em curtas sentenças. como dizer tudo isso que se passa senão dizendo? que de onde vem esse impulso de procurar a mim mesmo nas mais variadas linguagens de natureza homem-bicho-máquina?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

tive, neste último fim de semana, um momento muito prazeroso com meus pais e padrinhos. ouvir as mesmas histórias de você quando pequeno é visitar lugares onde há muito não se ia. perceber, através desses relatos, quanto tempo se passou...
dessa vez preferi não levar a câmera. o registro se deu em outro suporte.

ps.: ainda estranho o blog.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

esse berman reeeeende...



em persona (1966):

"- Pensa que não
entendo? O inútil sonho de ser. Não parecer, mas ser. Estar alerta em todos os momentos. A luta: o que você é com os outros e o que você realmente é. Um sentimento de vertigem e a constante fome de finalmente ser exposta. Ser vista por dentro, cortada, até mesmo eliminada. Cada tom de voz, uma mentira. Cada gesto, falso. Cada sorriso, uma careta. Cometer suicídio? Nem pensar. Você não faz coisas desse gênero. Mas pode se recusar a se mover e ficar em silêncio. Então, pelo menos, não está mentindo. Você pode se fechar, se fechar para o mundo. Então não tem que interpretar papéis, fazer caras, gestos falsos… Acreditaria que sim, mas a realidade é diabólica (…)."

aulão de tudo, né. montagem (subliminares insanas), fotografia (assinada pelo sven nykvist) e a própria direção. as atuações de tão intimistas trazem complicações nessa tradução.
ao revê-lo, persistiu aquele desejo de apenas silenciar.
you be cool.

domingo, 15 de novembro de 2009

"tá ligado, solto?"

solto é uma gíria comumente usada aqui no sul da Bahia. "colé, solto!", "e aí, solt!", "soltinho na marooola, né?", são alguns exemplos de como se pode usar, tá ligado...? então, tenho pra mim que a expressão vem de "lek solto", que por sua vez vem de "muleque solto", pra designar aquele que facilmente se adapta as situações e executa com primor o que lhe é atribuído. noutro caminho, solto pode ser pensado como uma relativa ausência de entraves nos modos de ser desse aí. vendo aqui, a raiz de solto vem da idéia de desatar, resolver. "levantar âncora", segundo o houaiss também é uma interpretação de solvere de onde deriva o soltus - ambos do latim. "to solve a situation", for instance.
a fronteira que divide as delícias de morar sozinho de suas tragédias é bastante suave. de fato é lindo fazer o próprio rango, receber visitas, ver a casa limpinha e pensar em aprimorá-la. para que isso tudo soe poético, no entanto, é requerido um esforço físico e psicológico. se os pratos estão sujos é porque você usou. se não limpar, ninguém mais o fará. e aí, camarado? es-forço, se ligou? time will tell...

enquanto vou pegando a manha em esferas por vezes tão distantes de conhecimento, curto cada segundo. aqui em casa sou eu e eu. e essa mania besta de ver coisa onde não existe... "vai nessa, lek solto!"

































quinta-feira, 12 de novembro de 2009

backing up


guardo no pc pessoas que não conheço. as fito e aprisiono numa torrente de zeros e uns, transpostos em pixels. são imagens de gente que ri, gente sozinha, muita sombra, cor demais... tempo foi nesse recorte de espaço.
dentre várias possibilidades, escolher determinado quadro é jogar comigo mesmo. preferenciar um é negacear o restante. e isso as vezes dói... no entanto, há um chamado muito sutil por parte dessas escolhas. "como se houvesse na ocupação do pintor uma urgência que excede qualquer outra urgência. ele está aí, forte ou fraco na vida, porém soberano incostestável na sua ruminação do mundo (...) obstinado em tirar desse mundo onde soam os escândalos e as glórias da história, telas que quase nada acrescentarão às cóleras nem às esperanças dos homens, e ninguém murmura. que ciência secreta é, pois, essa que ele tem ou procura?", vem Merleau-Ponty flutuando em "O olho e o espírito".

incorporo esses olhares arquivados na esperança de conhecer mais. tornar-me um estranho é um puta treino. e só de lembrar tantos outros tantos que já fui, vixe... enfim, isso tem rendido dias muito excitantes. tenho aproveitado cada segundo. :)


tem feito sol e chuva, mormaço e ventania. e as plantas crescem poquito más a cada dia...


terça-feira, 10 de novembro de 2009

lavanda

há de ser dito aqui tudo aquilo que se fizer falar worldwidewebmente.