quinta-feira, 12 de novembro de 2009

backing up


guardo no pc pessoas que não conheço. as fito e aprisiono numa torrente de zeros e uns, transpostos em pixels. são imagens de gente que ri, gente sozinha, muita sombra, cor demais... tempo foi nesse recorte de espaço.
dentre várias possibilidades, escolher determinado quadro é jogar comigo mesmo. preferenciar um é negacear o restante. e isso as vezes dói... no entanto, há um chamado muito sutil por parte dessas escolhas. "como se houvesse na ocupação do pintor uma urgência que excede qualquer outra urgência. ele está aí, forte ou fraco na vida, porém soberano incostestável na sua ruminação do mundo (...) obstinado em tirar desse mundo onde soam os escândalos e as glórias da história, telas que quase nada acrescentarão às cóleras nem às esperanças dos homens, e ninguém murmura. que ciência secreta é, pois, essa que ele tem ou procura?", vem Merleau-Ponty flutuando em "O olho e o espírito".

incorporo esses olhares arquivados na esperança de conhecer mais. tornar-me um estranho é um puta treino. e só de lembrar tantos outros tantos que já fui, vixe... enfim, isso tem rendido dias muito excitantes. tenho aproveitado cada segundo. :)


tem feito sol e chuva, mormaço e ventania. e as plantas crescem poquito más a cada dia...


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